
Pela
positiva:
Claramente, José Sócrates é o político do marketing. Quem entrasse no congresso de Espinho, meramente movido pela curiosidade, ficaria obviamente deslumbrado. O marketing político do PS (Nacional) funciona de forma irrepreensível. O PS deu um claro salto em frente na comunicação política no país. O PS soube gerir a informação e as oportunidades mediáticas. Sócrates reservou, sem direito a fugas de informação, o prime-time para tirar o coelho da cartola e anunciar – Surpresa -, Vital Moreira, uma verdadeira rosa para avermelhar o socialismo de esquerda. Cuidado porque Vital Moreira é péssimo comunicador de massas. Excelente a escrever, mas não chega.
As propostas sociais de Sócrates. Embora, tenha sabido a pouco.
Empolgante a intervenção de Francisco Assis, um bom quadro que o PS tem vindo a descurar. É pena!
O apagão deu um belo contributo para atenuar a crise: pelo menos nos bares de Espinho.
A frase: “A democracia não conhece feriados, nem tira férias”. (Sócrates)
Pela
negativa:
A campanha negra tomou conta do Congresso de Espinho. Tão negra que deu em apagão e as más línguas bloguistas já dizem que foi José Manuel Fernandes que apagou as luzes. Com a ajuda da Manela da TVI. A arena política é o cenário mediático, para bem e para o mal. Socrates esteve mal no ataque à CS. Não deixará de ter as suas razões, mas fez mal em atirar a lança ao mensageiro nesta altura do campeonato. Se há imprensa que não cumpre com rigor o dever de informar, queixe-se à ERC. É para isso que existe a entidade reguladora.
Os ataques ao BE deram-lhe, ao Bloco, projecção mediática.
Falta de chama.
Salvo raros momentos, o congresso parecia despido de congressistas. As mesas de cor branca denunciavam essa ausência.
Faltou a bandeira da regionalização.
Lamenta-se que a Moção de Fonseca Ferreira tenha tido poucos votos.
Por último:
É escandaloso que a RTP não tenha (pelo menos) transmitido em directo o discurso de encerramento. Pode dizer-se, ah pois, mas estava na RTP N. Ora bolas, a RTP N (embora seja serviço público) está no cabo. Em resumo: não está ao alcance de todos.
Claramente, neste ano eleitoral, particularmente nas legislativas, estaremos a referendar a credibilidade do Primeiro-Ministro. É pena! Eu preferia avaliar políticas, ideias, propostas.
Finalmente: Há muitos anos (estou a ficar velha, mas matreira) que acompanho, embora à distância, congressos. Gosto de os analisar sobre vários prismas, de comparar a cobertura que deles fazem os media. De tirar as minhas próprias conclusões e delas dar conta a quem bem me apetece.
Sendo certo que as directas devolveram a democracia às bases dos partidos, o que é facto é que os congressos perderam chama, debate e conteúdo político.