
Estaremos perante um case-study da teoria tão em voga do cidadão reporter?
Ora vejamos:
A SIC e a TVI transmitiram em exclusivo momentos da rixa na Quinta da Fonte, em Loures. As imagens, compradas pelas duas estações, mostram indivíduos de etnia cigana envolvidos nos desacatos. José Fernandes, líder desta comunidade, levantou ontem a questão: "Não sei por que é que só mostram ciganos nas imagens." Qustão pertinente!
Segundo o Correio da Manhã,a TVI terá pago cerca de 1800 euros pelo vídeo de um minuto, gravado com uma câmara fotográfica. João Maia Abreu, director de Informação da estação de Queluz de Baixo, recusa comentar o assunto, dizendo apenas que "a compra de imagens é uma coisa normal".
Já a SIC terá pago muito menos do que a TVI: cerca de 200 euros. Alcides Vieira, director de Informação, rejeita contudo a palavra compra, dizendo que se trata de "uma força de expressão". "O que nós fazemos é pagar as despesas às pessoas, como o táxi ou a gasolina."
A RTP preferiu ficar de fora por entender que as imagens não eram isentas, ao mostrarem apenas um dos lados da barricada, acrescenta o CM. Fez bem. O serviço publico tem essa obrigação.
O director de Informação da SIC não considera que isso seja um problema, já que "as imagens do cidadão têm de passar por um trabalho jornalístico de enquadramento".
"A SIC disse que só ia mostrar uma parte da história. Não enganámos ninguém", disse Alcides Vieira. Não me lembro de ter ouvido essa declaração de interesses.
A venda de imagens não-jornalísticas é uma nova realidade. é preciso refletir sobre ela!