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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Casa Pia mostrou 'do pior que se faz em jornalismo'





O Conselho Deontológico (CD) do Sindicato dos Jornalistas deu hoje, finalmente, um sinal.
É premente uma reflexão sobre o assunto.
Se a Deontologia é uma palavra vã, então que se faça a sua abolição.
Nem que seja, para estarmos em sintonia com a actualidade, por uma razão atendível.

O Conselho Deontológico (CD) do Sindicato dos Jornalistas considerou hoje que a cobertura noticiosa do processo Casa Pia é «paradigmática do pior que se faz em jornalismo» e põe em causa os princípios deontológicos do sector.
«A cobertura jornalística do caso Casa Pia é, desde a sua origem, paradigmática do pior que se faz em jornalismo. É uma cobertura que questiona a quase ou mesmo a totalidade dos princípios do Código Deontológico», afirma o conselho, em comunicado divulgado hoje.
Para o CD do Sindicato dos Jornalistas, em muitos casos a função do jornalista deu lugar ao exercício de mediação de mensagens, estando, nestas práticas, ausente demasiadas vezes a interpretação, a comprovação e a verificação dos factos.

O CD afirma ainda que muitas práticas foram alheias aos valores éticos e deontológicos da profissão e «exemplificam os efeitos da instrumentalização do jornalismo».

«Alguns dos diretos televisivos e radiofónicos no decurso da leitura da sentença e os debates emitidos no rescaldo das condenações constituem peças exemplares que servem para demonstrar o que não é jornalismo», acusa.

Por isso,o CD exorta os jornalistas a refletirem sobre o trabalho produzido e as instituições que regulam as empresas de comunicação social a promoverem um debate sobre «estatutos editoriais e sobre as causas que condicionam a criação e funcionamento dos conselhos de redacção».
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=380

quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Eles"


"Se contar com o jornal da Biblioteca Infantil e Juvenil de Viana do Castelo, o jornal do liceu que dava uma bronca a cada número, mais os relatos de hóquei e os directos de bobine ao ombro na Rádio Alto Minho, já sou jornalista há uns 30 anos. Foi "O Independente", à saída da faculdade, que meu deu uma carteira profissional. No jornal aprendi o que é uma notícia. No segundo andar da Redacção havia uma folha A4 colada ao vidro do aquário. Já não me lembro dos termos exactos, mas era mais ou menos: "Notícia é o que um jornalista tem boas razões para contar e alguém tem boas razões para não querer que se saiba". A frase, por mais elaborada que fosse nos termos originais, não despertava sobressaltos. Eu e os outros jornalistas trabalhávamos rodeados de jornalistas e leitores que pensavam assim. Renegar as notícias seria absurdo.Ainda hoje me lembro dessa frase sem sobressaltos mas estou cada vez mais só. Ao longo destes anos o ambiente mudou: a regra tornou-se excepção. A maioria das notícias, hoje em dia, são o que alguém quer que se saiba. Até se fazem manchetes de grandes jornais que não são novidade, não são notícia, pela simples razão de que alguém quer muito que se saiba.Esse alguém não é o povo (já quase soa estranha, este palavra) consumidor de jornais. O jornalismo institucionalizou-se. Os jornalistas arranjam empregos com os políticos, comem à mesa dos banqueiros, frequentam as mesmas lojas, realizam-se com ascensões socias estranhas à profissão. Muitos jornalistas começaram a fazer parte daquela entidade a que o povo (não tenhamos medo dela) chama "eles".
Ao mesmo tempo, os factos foram substituídos por uma sofisticada retórica de "objectividade" e "equilíbrio" - totalitária - e por um processo de intenções ao menor desvio. As notícias já não são julgadas por serem verdadeiras ou falsas, mas por serem "a favor" ou "contra". Não contem comigo para essa merda. Eu faço notícias e olho as pessoas do meu bairro nos olhos. Prefiro trocar de profissão a fazer outra coisa. Podem até obrigar-me a mudar de vida mas jamais a renegar a que tenho há 30 anos."
Carlos Enes - Jornalista

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Embrulha...








Ferreira Fernandes, hoje no DN:

"José Sócrates gamou? Um ministro que recebe luvas para tomar uma decisão, o que faz é gamar. Gamou? Se o fez: 1) Ele é um canalha (que é o que é um ministro que gama); 2) ele é parvo (quem gama, não se candidata meses depois a lugar tão exposto como a chefia do Governo); e 3) ele tem uma daquelas deficiências cerebrais, tipo Vale e Azevedo, com cara de não passa nada, quando se passa muito e grave. Sócrates é tudo isso - se gamou. Se! Ora para a pergunta trivial - culpado ou inocente? - eu só posso responder: não sei. Sobre os factos não sei nada, só posso ser testemunha abonatória de José Sócrates: ele é o melhor primeiro--ministro que já tive. Mas isso é irrelevante. Por isso, já que a suspeita foi instalada, só posso afirmar a minha dúvida: não sei. Mas já sei, tenho até absoluta certeza, que há quem queira instrumentalizar essa minha dúvida. Enquanto esteve com a polícia e magistrados ingleses, a investigação foi o que devia ser, silenciosa. Desde que chegou a Portugal, há dez dias, foi um ver se te avias de informações às pinguinhas. Sou do meio, sei do que falo: investigação jornalística, o tanas. Milho atirado.|"

Embrulha!!!
Ora, ora...são muitos anos a virar frangos.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Pérolas do jornalismo











"Dar mais ou menos cobertura jornalística sobre um determinado assunto não deve ser também determinado pela informação que os protagonistas desse mesmo caso disponibilizam. Mas é isso infelizmente que muitas vezes acontece."
João Adelino Faria, "Diário Económico", 4 de Agosto de 2008

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Difamou, Devassou, Pagou!






757 mil euros de indemnização é quanto Robert Murat vai receber, por notícias publicadas na imprensa britânica que lhe devassaram a vida privada. Na calha estão também mais duas queixas-crime contra jornais portugueses.
Difamou, Devassou, Pagou! Bem-feita!
O que é que ainda não compreendemos sobre o direito à reserva da intimidade e da vida privada?????
"O direito à privacidade sobreleva o direito e o dever de informar — salvo nos casos socialmente relevantes (trabalho infantil, crianças maltratadas, etc.) ou lesivos do interesse público e, ainda, de figuras públicas com comportamento contrário ao seu discurso público."

sexta-feira, 11 de abril de 2008

"A qualidade desta democracia"




"Uma jornalista apresenta um projecto de documentários a uma produtora de audiovisual. A produtora acolhe o projecto e apresenta-o a um canal público de TV, que encomenda os documentários. Um partido político resolve tratar esta decisão como uma "contratação" da jornalista para o canal público e qualifica-a de "pornográfica", anunciando um "requerimento" para "pedir explicações". E que apresenta o partido, como fundamento de tão trepidante indignação e fino palavreado? A inexperiência televisiva da jornalista (falso); as suas opiniões (intolerável); a sua vida privada (abjecto).
Não, não sucedeu na Venezuela de Chávez nem na Rússia de Putin, para nos ficarmos apenas por países com democracias, digamos, de qualidade duvidosa, e onde a intimidação ostensiva de jornalistas é comum. Foi por cá e o partido dá pelo nome de PSD - o mesmo que enquanto se diz "muito preocupado com a qualidade da democracia portuguesa" interdita congressos a jornalistas por "não serem confiáveis".
O que, convenhamos, bate certo, deprimentemente certo. Um país no qual um partido que foi de Sá Carneiro, que forneceu o actual presidente da República e que ainda hoje pretende ser alternativa credível de governo acha que se pode permitir este comportamento de ditador carroceiro é um país no qual a qualidade da democracia deixa a desejar. Não tanto, claro, que este tipo de gesto dê dividendos; não tanto que não se erga, da esquerda à direita (sobretudo na blogosfera) um coro de indignações, a que se junta a do Sindicato dos Jornalistas, acusando este atentado à constitucionalmente sagrada liberdade de expressão - mas é pouco, como consolo.
Sabemos que o carácter precioso da liberdade tem, para muita gente, dias - como quem diz cores, cartões, conveniências. Só que quando dirigentes partidários com assento no parlamento e passagem por cargos governativos acham que podem imiscuir-se, publicamente e sem qualquer disfarce, nas opções editoriais de um canal público e na liberdade profissional de um jornalista, procurando condicionar o primeiro e assumindo a pura perseguição pessoal do segundo, ante o silêncio da maioria das sentinelas dos fascismos que amanhecem e a cumplicidade acéfala de outros jornalistas - aqueles que seguram o microfone e a caneta e a quem jamais ocorre a pergunta óbvia, a saber, qual é mesmo o problema do PSD com esta jornalista -, chegou-se a um novo patamar. Aquele em que tem de se explicar tudo do princípio. O que é um jornalista e para que serve, o que é a vida privada e para que não deve jamais servir. Em suma: o que é a civilização e a democracia. E a decência, já agora. Sabendo, claro, que há mentes pornográficas nas quais nenhum princípio tem guarida".

Fernanda Câncio
jornalista

comentário: Toma, e embrulha!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Sobre crise de identidade do jornalismo



O livro“O jornalista em construção”, de Joaquim Fidalgo aborda a “crise de indentidade” do jornalismo, que, segundo o autor deriva do facto “da personalidade dos jornalistas nunca ter sido uma coisa muito definida e muito forte”. “A crise hoje em dia está mais acentuada, porque aquilo que era só do jornalista agora está acessível a qualquer pessoa, por causa da internet”.
Diz o autor “Primeiro, é necessário um saber especifico adquirido com a experiência, e, em segundo lugar, ter em atenção as questões éticas e deontológicas; estas duas premissas formam a identidade do jornalista”.
O ex-provedor do jornal “Público” afirma que “os jornais em papel podem desaparecer”, mas os jornalistas vão adoptar uma nova função de “sinaleiros, que nos ajudem a separar o trigo do joio, mas para isto é necessário muitas regras éticas e deontológicas”. “Os jornalistas vão ajudar-nos a navegar, a aprofundar e a clarificar a informação". Oxalá!
a obra aborda "questões da ética e da auto-regulação dos jornalistas". "Considero fundamental que haja mecanismos de auto-regulação do trabalho jornalístico porque os jornalistas têm uma função de serviço público".
Portanto, é um livro que se recomenda a quem goste de reflectir sobre o assunto.
Bem sei que isto de reflectir é uma maçada, uma perca de tempo, blá,blá...
Mas faz falta!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Qual ética?























Tem razão Pacheco Pereira quando no seu Blog "Abrupto" escreve que: "Toda a gente na comunicação social sabe que não deve entrevistar uma criança que foi vítima de um pedófilo (como o de Loures), mas entrevista; toda a gente sabe que não deve repetir à exaustão as imagens do vídeo do telemóvel, mas repete; toda a gente sabe que não deve ir para as portas do Carolina Michaelis entrevistar alunos menores sobre o que se passou, mas vai; toda a gente sabe tudo, mas faz de conta que não sabe."
Mas Pacheco Pereira, que há dias foi Director do "Público",por um dia, também sabe que no mediatismo contemporâneo, ética e audiências não se dão lá muito bem.
Infelizmente,mas é!

(CRÉDITOS da imagem: João Miguel Rodrigues, Público on line)